Cantinho da Maria... O meu lugar para escrever. O que me dita o coração. Simples é o meu dizer. Com verdades,sem ilusão. Simplicidade é o meu lema. Não procuro vedetismo. Nunca foi esse o meu dilema. Não tenho qualquer problema. Em escrever com realismo. Sou assim desde tenra idade. Sou assim e gosto de o ser. Neste Cantinho da Maria á verdade. Em tudo o que possa aqui ler.

terça-feira, 15 de novembro de 2011




(Até parece que já cheira a Natal...)


Gosto muito desta balada,do poeta Augusto Gil e hoje apeteceu-me aqui publicá-la no meu modesto cantinho.


Balada de Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…


Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.



Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…


Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…


E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…


Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


Augusto Gil

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