Cantinho da Maria... O meu lugar para escrever. O que me dita o coração. Simples é o meu dizer. Com verdades,sem ilusão. Simplicidade é o meu lema. Não procuro vedetismo. Nunca foi esse o meu dilema. Não tenho qualquer problema. Em escrever com realismo. Sou assim desde tenra idade. Sou assim e gosto de o ser. Neste Cantinho da Maria á verdade. Em tudo o que possa aqui ler.

domingo, 21 de março de 2010


Poeta António Aleixo

Neste dia mundial da poesia, deixo aqui no meu blog ,o exemplo de um grande poeta popular.
António Aleixo nasceu em Vila Real de Santo António, a 18 de Fevereiro de 1899 e faleceu em Loulé a 16 de Novembro de 1949.
Não era totalmente analfabeto,sabia ler e leu meia dúzia de bons livros.Não sabia era escrever com correção e a sua preparação intelectual não lhe deu qualificação para poder ser considerado um poeta culto. Mas ficou conhecido como o maior poeta popular(O poeta do povo). Do livro "Este livro que vos deixo" uma grande obra que mostra a sabedoria deste grande poeta que merecia melhor, aqui ficam algumas quadras para os que conhecem recordar e para quem não conhece possa ter o prazer de saber quem foi o grande poeta António Aleixo.


Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.


Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.



P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.


São parvos, não rias deles,
deixa-os ser, que não são sós:
Às vezes rimos daqueles,
que valem mais do que nós.



Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.


Morre o rico, dobram sinos;

Morre o pobre, não há dobres...

Que Deus é esse dos padres,

Que não faz caso dos pobres?



Para triunfar depressa

cala contigo o que vejas

finge que não te interessa

aquilo que mais desejas.


Em não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.


A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito.


Quem nada tem, nada come;
E ao pé de quem tem de comer,
Se alguém disser que tem fome,
Comete um crime, sem querer.

1 comentário:

HORIZONTE disse...

António Aleixo nosso poeta algarvio,que traduzia uma amarga filosofia aprendida na impiodosa escola da vida.
Obrigada é com pessoas como a Zezinha, que não devemos deixar os nossos poetas no esquecimento.
Um beijinho Ana